Conheça as próximas tendências do varejo eletrônico

Surgirão parcerias entre lojas para entrega de produtos, novos ítens à venda para mulheres e a comercialização de alimentos perecíveis. É o que aponta o estudo Ecommerce Radar 2017
Com base em informações de mais de 700 lojas virtuais, a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), em parceria com a Atlas, elaborou a pesquisa E-commerce Radar 2017, que reúne detalhes do desempenho do comércio eletrônico brasileiro no primeiro semestre deste ano.
Além de apresentar as variáveis que influenciam a projeção de crescimento do setor em 15% para 2017, o estudo ajuda a traçar os caminhos para os varejistas que querem atualizar seus negócios.
DESTAQUES DO PRIMEIRO SEMESTRE

Somente neste ano, o número de lojas virtuais cresceu 9,2%, na comparação com o mesmo período de 2016, de acordo com uma pesquisa da PayPal.
O mesmo levantamento aponta que pequenos sites, com até 10 mil visitas mensais, especializados em nichos específicos e que vendem até dez produtos, representam a maioria do comércio online brasileiro.
Com base nos dados do Radar 2017, Maurício Salvador, presidente da ABComm dá algumas dicas de como preparar seu e-commerce para ficar em dia com as tendências do mercado.
►COMPRAS VIA MOBILE
O contingente de brasileiros que utilizam dispositivos móveis para acessar a internet superou, pela primeira vez, o de acessos por computadores e notebooks, de acordo com a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As compras realizadas com smartphone cresceram 9% no primeiro semestre deste ano em relação a 2016, passando de 22% para 31%.
As categorias de e-commerce que mais concentram esse tipo de consumidor são itens para bebês e crianças (73%), pet shop (68%), games (66%) e moda íntima (65%).
Sucede, porém, que a taxa de conversão das compras por dispositivos móveis ainda não é tão expressiva: o valor mais alto é 1,3%, referente à moda intima e sex shop.
Para Salvador, isso pode indicar que muitos sites ainda apresentam limitações de acesso, não sendo considerados mobile friendly.
Ou seja, escolher os recursos que estarão em cada canal, tendo em vista o tamanho da tela e funcionalidades disponíveis, é fundamental para garantir uma navegação simples e maximizar as oportunidades do negócio.
“O consumidor quer encontrar tudo no menor tempo possível e com mais facilidade, podendo comprar a qualquer momento”.
►MULHERES INTERNAUTAS
De acordo com a pesquisa E-commerce Radar 2017, o público feminino é um pouco mais ativo na rede do que o masculino. As mulheres representam cerca de 50,1% dos consumidores das lojas virtuais.
A moda íntima (87%) é a categoria que mais reúne consumidoras. Enquanto, os homens se concentram, principalmente, nas compras de ferramentas e games, ambos com 71%.
Além da informação sobre gênero, o estudo também traça o perfil dessas compradoras, que são predominante jovens, na faixa de 25 a 34 anos (38%) e com concentração principal no sudeste do país (68,1%).
Para o presidente da Abcomm, as mulheres são maioria, justamente, porque a internet é um facilitador de negócios no segmento de beleza.
A compra online possibilita fazer pesquisa sobre o que outros consumidores acharam do produto, se ele realmente serve para o seu corpo, se existe um produto melhor, além da facilidade de compra de produtos importados, argumenta Salvador, que destaca ainda que o setor de beleza no país cresce independente da crise financeira.
VEJA O QUADRO

►PARCERIAS DE LOJAS
Já pensou na possibilidade de comprar um vestido pela internet e retirá-lo numa loja de eletrônicos perto de sua casa ou trabalho? Pois, em alguns países isso já é uma realidade.
Na prática, funciona da seguinte uma forma: uma loja de departamentos, por exemplo, cria uma rota de estabelecimentos parceiros, que passam a funcionar como centros de distribuição da marca para facilitar a vida do consumidor.
Em vez de mandar o produto direto para a casa do cliente, a mercadoria é enviada para um comércio parceiro.
No momento, em que o cliente realiza uma compra e disponibiliza o CEP onde deseja que a compra seja entregue, ele recebe uma lista de lojas parceiras disponíveis nas imediações como opções de retirada.
Isso significa que o cliente poderia, por exemplo, comprar uma jaqueta e retirá-la em uma barbearia de bairro, por exemplo. Salvador diz que a modalidade traz uma série de vantagens:
→Custo do frete e prazo são menores: a roteirização de entrega é sempre a mesma. Portanto, o caminhão faz sempre o mesmo caminho, realiza menos paradas do que em entregas de porta em porta e fazem o custo do frete cair.
→Taxa de sucesso é maior: Nem sempre o consumidor está em casa para receber a mercadoria, mas dificilmente uma entrega deixará de ser feita porque a loja estava fechada.
→Muitas empresas querem ser parceiras: Quanto maior o fluxo de pessoas entrando pelas portas das lojas melhor para os estabelecimentos. Além disso, essas parceiras são remuneradas por cada pacote entregue.
→Conveniência: O consumidor pode optar em retirar seu pacote onde quiser. Pode ser perto do trabalho, da academia, de casa. Ele decide qual o melhor trajeto e o melhor ponto de retirada – algumas delas são 24 horas, como as farmácias e lojas de conveniência.
VENDA DE ALIMENTOS E BEBIDAS
As redes de supermercados são as que mais têm potencial para explorar o comércio eletrônico nos próximos anos, de acordo com Salvador.
Os principais obstáculos dessa evolução por aqui são acondicionamento e logística. Para o presidente da Abcomm,o segredo para a criação e gestão de uma empresa alimentar de comércio eletrônico é criar algo novo.
“Alguns supermercados oferecem esse serviço, mas ainda se trata de uma compra complicada. Os processos são demorados e é preciso um mínimo”, diz.
“Você consegue comprar uma bolacha online, mas não aquele biscoito caseiro integral da mesmo forma que compra um tênis”.
Na avaliação do especialista, quando as empresas entenderem que o consumidor está em busca de compras específicas e personalizadas, elas irão criar algo um pouco diferente e acelerar o sucesso do comércio eletrônico de alimentos.
Fonte: Diário do Comércio

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